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Montevidéu fortificada
Nesta edição, continuamos
abordando as fortificações do Uruguai.
Assim como Colônia de Sacramento,
Montevidéu já foi uma cidade
inteiramente cercada por muralhas de
proteção.
Em janeiro de 1724, Bruno Mauricio de
Zabala expulsou os portugueses da baía
de Montevidéu, onde há pouco haviam se
estabelecido, e iniciou a fortificação
do local. Com projeto do engenheiro
Francisco Petrarca, primeiro
construiu-se a Bateria de San Felipe (no
local onde mais tarde seria erguido o
Forte de São José, em 1740) e um forte e
capela, onde posteriormente se construiu
o Forte do Governo, em 1780 (atual Praça
Zabala).
Diego Cardozo, sucessor de Petrarca, deu
seguimento à construção das muralhas em
torno da cidade. A principal
fortificação no interior do perímetro
amuralhado era a Cidadela, iniciada em
outubro de 1741 e concluída em 1780. Em
1808, se construiu a última fortificação
uruguaia, a Fortaleza del Cerro, no
ponto mais alto da cidade, fora da área
amuralhada.
Montevidéu foi conquistada pelos
ingleses em 1807 e por Portugal em 1817,
tornando-se capital da Província
Cisplatina em 1821. Pertenceu ao Brasil
no reinado de D. João VI e conquistou
sua independência na chamada Guerra da
Cisplatina. Em 1828, passou a ser a
capital do Uruguai.
Em agosto de 1829, a Assembléia Geral
Constituinte determinou a destruição das
fortificações e muralhas de Colônia do
Sacramento e Montevidéu. Em setembro
daquele ano, se iniciou efetivamente a
demolição do que para muitos era "signo
da opressão de um passado colonial
espanhol que devia ser prontamente
esquecido".
Hoje, poucos vestígios restam das
muralhas defensivas da cidade. Alguns
trechos remanescentes podem ser vistos
nas ruas e outros resistem ainda nos
porões de construções mais recentes. A
Portada de entrada da Cidadela foi
remontada, aproximadamente na sua
posição original, tornando-se uma
referência urbana importante, demarcando
o início da chamada Cidade Velha. Merece
destaque também o trabalho da faculdade
de Arquitetura local, que produziu uma
interessante maquete virtual, com a
reconstituição de toda a cidade
amuralhada, e onde sobressai a antiga
Cidadela.
Nos últimos dois anos, um forte
movimento liderado pelo Espaço Cultural
"Al Pie de la Muralla" (localizado no
fosso da antiga fortificação) vem
aglutinando as instituições, os
pesquisadores e demais segmentos da
sociedade local, interessados no resgate
da memória da cidade fortificada e na
preservação dos remanescentes de suas
muralhas históricas. A entidade já
realizou dois seminários temáticos em
abril de 2005 e 2006. Uma iniciativa que
deve ser louvada e incentivada.
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