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 AMÉRICA 1 2
Carta náutica datada de 1424

Após a apresentação do orador, efectuada pelo Almirante Sousa Leitão, presidente da Sociedade de Geografia, e com o apoio da projecção de um número elevado de diapositivos, o médico e investigador português defendeu a sua tese baseando-se em provas cartográficas, arqueológicas e toponímicas, com especial relevo para as primeiras.

F o principal suporte das suas afirmações residiu numa carta náutica de pergaminho, da autoria de Zuane Pizzigano e datada de 1424, actualmente a fazer parte da Colecção de James Bell Ford, da Universidade de Minnesota, estabelecimento de ensino norte-americano a ter de pagar um preço fabuloso à Colecção de Sir Thomas Phillips, de Londres, para a adquirir.

Nesta já famosa carta náutica de 1424, surgem desenhadas costas marítimas muito semelhantes às da América do Norte e assinaladas, igualmen- te, três ilhas com OS nomes de Soya Satanazes e Antilha...

Decorria o ano de 1986 quando, através de estudos comparativos, o dr. Manuel Luciano da Silva descobriu estarem errados todos quantos, há mais de cinco séculos, presumem que as Antilhas. também chamadas índias Ocidentais, foram sempre as ilhas localizadas no Mar das Caraíbas e 'na América Central, onde Colombo aportou.

Começou o perspicaz médico de Vale de Cambra por sobrepor um negativo fotográfico da famosa Carta Naútica de 1424 sobre um mapa moderno do Atlântico e: dessa observação, resultaram interessantes e até surpreendentes evidênciàs.

Em primeiro lugar, as Antilhas assinaladas no mapa de 1424 coincidiam, com maior precisão, com as latitudes da Terra Nova e Nova Escócia do que com as das ilhas do Mar das Caraíbas, situadas a mais de duas mil milhas para sul.

Em segundo lugar, os contornos, os tama- nhos e as posições das ilhas no mapa de 1424, correspondiam exactamente à Terra Nova, Nova Escócia e ilha do Príncipe Edward, vendo-se localizadas a noroeste dos Açores, enquanto as ilhas do Mar das Caraíbas, modernamente chamadas Antilhas, estão a sudoeste do mesmo arquipélago. ,

Em terceiro lugar, as numerosas baías e enseadas, desenhadas na Carta Náutica de 1424 e agora na posse da Universidade de Minnesota, correspondem nitidamente às actu- ais costas marítimas da Terra Nova e Nova Escócia.

Estes e outros argumentos levaram o dr . Manuel Luciano da Silva a concluir que, sessen- ta e oito anos antes. de Crietóvão Colombo ter chegado às ilhas a que se tem chamado Antilhas, localizadas no Mar das Caraíbas, já os navegadores portugueses tinham descoberto as verdadeiras Antilhas, situadas ao largo da América do Norte.

E o conferencista, perante a grata surpresa da maior parte dos presentes, garantiu sei a pala- vra Antilha genuinamente portuguesa e as Antilhas a que oS nossos antepassados se refe- riam não eram nem Cuba, nem Jamaica, nem S. Domingos e, muito menos, Porto Rico mas, isso sim, a Terra Nova, a Nova Escócia e a canadia- na Príncipe Edward, o que impõe uma correcção na geografia histórica das Américas.

Isto com a evidente consagração dos navega- dores portugueses, como descobridores incon- testados da América antes de 22 de Agosto de 1424, data da decisiva Carta Náutica de Zuane

Pizzigano, para arrelia dos historiadores pró- colombianos.

Uma inscrição de Corte Real

Outros argumentos, capazes de fortalecerem a teoria do dr. Manuel Luciano da Silva, embora com menor poder conclusivo do anterior, residem na chamada Pedra de Dighton e na toponímia da costa do Canadá.

A Pedra de Dighton, rocha descoberta na foz do rio Taunton, Massachusetts, portanto à latitu- de norte de mais de 41 graus, esteve coberta pelas águas das marés, vinte horas por dia, até 1963, isto embora a importância das suas in~ri- ções fosse avaliada pelo professor Edmund Delabarre, da Universidade de Brown, no dia 2 de Dezembro de 1918.

O professor Delabarre detectou várias grava- ções nessa pedra de 40 toneladas, incluindo a data de 1511. o nome de Miguel Corte Real e o Escudo português em forma de "V". Mais tarde, em 1951, outro professor, Joseph Fragoso, da New Yorque University, pretendeu ver nela traços configurando quatro cruzes da Ordem de Cristo e o Escudo português em forma de 'U'.

Guardada num museu próprio, de que o confe- rencista é director e sobre a qual já escreveu um livro em inglês com tradução portuguesa, a Pedra de Dighton não terá muito a ver com a teoria do dr. Manuel Luciano da Silva, sobre a primazia dos portugueses na descoberta da América, mas jus- tifica. em certa medida, uma outra afirmação sua, a de termos sido os primeiros a colonizar esse continente. Aliás O conferencista divulgou que o reverendo George Patterson. do Canadá, compi- lou uma lista de 92 nomes de origem portuguesa, usados nas costas deste país, sendo exemplos as palavras Bacalhao, Cape Blanco, Boa Ventura. Bona Vista, Fogo, Baya Funda, Minas, Monte Real, Ilha das Gamas, Porto Novo, Portugal, etc, etc.

O próprio médico português procedeu a investi- gações, junto dos índios americanos r' ')va Inglaterra, encontrando etimologias portuguesas nos nomes de chefes de algumas tribos antigas, como Algonquinas, Hosamequina e Quadequina, sufixo de evidente raiz lusitana. porventura origi- nário das Quinas da bandeira nacional.

Esperemos que os aplausos, com que a assis- tência brindou o orador, consigam chegar aos ouvidos de todos quantos possuam o poder de rectificar a História.

Texto. Victor Mendanha Fotos: Jorge Paula

1865 - A TRÍPLICE ALIANÇA

 

 

 

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